IDEOLOGIA e BIOLOGIA
How can I tell what I think until I see what I say? (E. M. Forster)


Sábado, Janeiro 24, 2009  

(Continuação)
55- Dentro da dimensão tática, isto é, em nossas atitudes e decisões do dia-a-dia, nós somos práticos de duas maneiras diferentes e simultâneas: somos práticos idiotípicos e práticos arquetípicos. A prática idiotípica se refere às ações condicionadas pelo que usualmente chamamos de caráter, ou personalidade, do indivíduo. O caráter expressa as consequências desenvolvimentais da herança genética interagindo com as consequências do meio ambiente. Ele não é nem puramente nature nem puramente nurture. A prática arquetípica se refere às ações desencadeadas pelo repertório das “maneiras de fazer” incrustado na natureza humana, estruturadas sobre um tipo de cálculo das relações de forças que Certeau chama de “tática”, em contraposição à “estratégia”, que é um tipo de cálculo que se exerce a partir de um lócus (a nacionalidade, o time de futebol, a ideologia) e que eu relacionei à estrutura transubjetiva. A prática arquetípica não tem lócus, não tem base onde concentrar suas forças, e tem que jogar constantemente com os acontecimentos para transformá-los em “ocasiões”. (Eifler, 20/10/07)
56- Os seres humanos, que se pensam como indivíduos, são ao mesmo tempo práticos, sujeitos e crentes. Dotados de senso tático, são movidos por estruturas transubjetivas enquanto creem em ideologias. O erro teórico de Foucault foi confundir dimensão tática com dimensão transubjetiva, e o erro teórico de Althusser foi confundir dimensão transubjetiva com dimensão ideológica. (Eifler, 14/10/07)

posted by Roberto Velloso Eifler | 7:06 PM
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Sábado, Janeiro 17, 2009  

(Continuação)
50- As ideologias são os recursos semióticos humanos para conquistar aliados e impor autoridade. Elas são sempre conscientes. Poderíamos dizer que as ideologias são as paixões conscientes de forças inconscientes, assim como poderíamos dizer também que as ideologias são mitologias justificadoras da vontade de poder. Ao mesmo tempo, em sua dimensão noológica, não humana, as ideologias precisam do ser humano para existir e para competir com outras ideologias pela sobrevivência. Chamo a atenção para o sentido figurado, antropomórfico, do “precisam”. Não há intencionalidade nisso. As ideologias precisam da mente humana assim como os vírus da AIDS precisam dos linfócitos T. Mas, ao contrário do vírus, que é um parasita, a ideologia é um simbionte. Quanto mais forte a ideologia, mais forte será o homem. Quanto mais forte o homem, mais forte a ideologia. Os dois se desenvolvem juntos, mas em dimensões diferentes. Homem e ideologia são teleonomicamente heterogêneos. O fato de a ideologia coincidir às vezes com a estrutura transubjetiva não exclui sua heterogeneidade. (Eifler, 02/10/07)
51- Nós, que nos pensamos como indivíduos, nos movemos no espaço social em três dimensões distintas e simultâneas. Nós somos práticos na dimensão tática, somos sujeitos na dimensão transubjetiva e somos crentes na dimensão ideológica. (Eifler, 14/10/07)
52- Quando falo em dimensão tática, estou me referindo àquele plano do espaço social em que nos movemos por lógicas operatórias que se desenrolam nos interstícios das estruturas formais e que expressam uma rede de microformalidades oportunísticas que remontam a tempos imemoriais. São o que Michel de Certeau denominou de “maneiras de fazer” e que engloba as inventividades, as improvisações, as astúcias, todo um repertório de esquemas de ação que vêm à tona no momento oportuno e que não cabem no discurso. Estão contidas no que Wittgenstein chamou de “linguagem cotidiana”, que é mais rica que a linguagem erudita e contém mais complexidades lógicas do que a filosofia é capaz de expressar. Se temos o direito de falar em “inteligência prática”, não se trata aqui da racionalidade como a conhecemos, mas de uma inteligência atávica, gravada na memória filogenética, da qual a racionalidade não passa de um subproduto. (Eifler, 14/10/07)
53- Não podemos confundir a dimensão tática com a dimensão transubjetiva, que é o plano das estruturas formais (poder, moral, etc.), com sua grade inata de posições relativas hipostasiadas em personalidades e instituições, da qual já falamos em posts anteriores. A dimensão transubjetiva constitui o “espaço social” de Bourdieu, no qual os indivíduos se reconhecem uns aos outros como “sujeitos” (Althusser) e ao qual se submetem livremente, gerando um acordo tácito, pré-reflexivo, sobre o sentido do mundo (o “conformismo lógico” e “moral” de Durkheim). Por ser uma dimensão de posições relativas, o espaço social é naturalmente hierárquico em todas as suas objetivações (socialidade, moral, cultura, etc.). É nos interstícios da dimensão transubjetiva que a dimensão tática introduz suas operações marginais, suas improvisações, suas artimanhas. Por outro lado, a dimensão transubjetiva só se objetiva através da dimensão ideológica. (Eifler, 14/10/07)
54- A dimensão ideológica é o plano virtual onde se dão os embates, os ajustes de contas, as submissões, as recombinações resultantes da dinâmica ininterrupta do espaço social. Ela é composta pelos seres logomórficos nascidos da cultura humana mas, por outro lado, não humanos, envolvidos em sua própria luta de sobrevivência num campo de forças em que fazem uso dos seres humanos que pensam usá-los. (Eifler, 14/10/07)
(Continua)

posted by Roberto Velloso Eifler | 3:15 PM
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Terça-feira, Janeiro 13, 2009  

(Continuação)
39- As estruturas transubjetivas correspondem aproximadamente ao que Althusser chama de “ideologia em geral”, Bourdieu chama de “estruturas objetivas”, Wittgenstein chama de “costumes” (Gepflogenheiten) e Lacan chama de “ordem simbólica”, cada um dentro de seu sistema de ideias. Todas essas expressões referem-se a uma entidade a que os indivíduos se sujeitam naturalmente e que lhes impõe suas normas de forma tal que essas lhes surgem como “evidências” que eles não podem deixar de reconhecer: “É evidente!” “É exatamente isso!”. (Eifler, 22/09/07)
40- Essa evidência é determinada pelo que Althusser chama de efeito ideológico elementar, mas que Guilhon Albuquerque prefere denominar efeito de sujeito, excluindo a referência ideológica. (Eifler, 22/09/07)
41- É através do efeito de sujeito que indivíduos se constituem como sujeitos, se reconhecem uns aos outros como sujeitos e se vêem como pertencentes a um sistema a que se submetem livremente, com a garantia implícita de que, agindo dessa maneira, tudo ficará bem porque é assim que as coisas têm que ser. (Eifler, 22/09/07)
42- Diferença entre estrutura transubjetiva e ideologia, diferença essa ausente em Althusser, que confunde as duas. A estrutura transubjetiva é que é inconsciente, embora seus conteúdos possam tornar-se conscientes, que é quando aparecem como “evidências” para o sujeito, como referido acima. (Eifler, 22/09/07)
43- As ideologias são sistemas de ideias e, como tal, conscientes, considerando-se as ideias como entes que se desenvolveram a partir da biosfera assim como os seres vivos se desenvolveram a partir do mundo inorgânico. (Eifler, 22/09/07)
44- Quando mencionei que o homem opera no plano dos homens com outros homens enquanto a ideologia opera no plano das ideologias com outras ideologias, quero avisar que não estou requentando aquele velho conflito entre o “psicológico” e o “sociológico”. Se é para estabelecer um divisor de águas, eu diria que a diferença se situa entre o mental e o noológico. (Eifler, 02/10/07)
45- O mental compreende o subjetivo e o transubjetivo. O subjetivo se refere às idiossincrasias do indivíduo (sua herança genética moldada pela educação). O transubjetivo se refere às estruturas inconscientes que determinam a vida social do sujeito. Já o noológico se refere às ideias, tanto isoladas quanto em sistemas. (Eifler, 02/10/07)
46- Tanto o mental como o noológico se expressam através de crenças. Existem três tipos de crenças: as crenças práticas, as crenças racionais e as crenças emocionais. (Eifler, 02/10/07)
47- As crenças práticas são evidências do mundo que se impõem por si mesmas, sem necessidade de justificação. Por exemplo: “Eu sou Fulano de Tal”, “O gramado é verde”, “O sol está brilhando”. São primariamente não verbais. (Eifler, 02/10/07)
48- As crenças racionais são evidências que resultam do raciocínio dedutivo baseado em axiomas empíricos (as “koiná axiômata” de Aristóteles): “Todos os homens são mortais”, “O sol aparece todos os dias”. São sempre verbais, embora possam ser apenas pensadas e não expressas. (Eifler, 02/10/07)
49- As crenças emocionais são evidências criadas pelo mecanismo de imprinting, onde uma carga de emoção (o marcador somático de António Damásio) é “ligada” a um objeto ou a uma ideia. As paixões amorosas, as paixões futebolísticas, as religiões e as ideologias são exemplos bem conhecidos. (Eifler, 02/10/07)
(Continua)

posted by Roberto Velloso Eifler | 8:33 PM
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Domingo, Janeiro 11, 2009  

(Continuação)
34- Realizando-se a interação dos animais sociais através de acoplamento estrutural, a consequência é o surgimento de entidades que pertencem tanto ao mundo “objetivo” como ao mundo “subjetivo”, mas que, definitivamente, não estão no campo da consciência. Essas estruturas “entre dois mundos”, que também podem ser chamadas de transcendentais comuns, determinam a evolução congruente do sistema e dos indivíduos que o constituem, de modo que os indivíduos só se reconhecem como tal através do sistema que os inclui. Isso faz com que tanto os dominantes como os dominados tenham os mesmos “princípios de visão e de divisão”, como gostam de dizer os sociólogos. (Eifler, 15/09/07)
35- Em outras palavras, os seres humanos estão estruturados geneticamente para serem dominantes ou dominados. Não têm outra opção. A par disso, são interpelados pela sociedade a desempenharem papéis de dominantes ou dominados, o que ocorre de forma inconsciente e independentemente do viés genético. (Eifler, 15/09/07)
36- Os sistemas de ideias (que falam de dominantes e dominados) pertencem a outro mundo (a noosfera), no qual evoluem também por estratégias evolutivamente estáveis que são operacionalmente diferentes das estratégias evolutivamente estáveis dos sistemas sociais. Dito de outra forma: as ideias evoluem independentemente das mentes, embora dependam das mentes para existir. As ideias se fortalecem fortalecendo os indivíduos e vice-versa, mas não há correspondência entre a finalidade da ideia e a finalidade do indivíduo. Qualquer ideologia serve para qualquer objetivo. (Eifler, 15/09/07)
37- Para explicar a operacionalidade da estrutura intersubjetiva, Althusser introduziu a categoria de sujeito. Sujeito é o indivíduo que faz parte de um sistema socialmente estável. A categoria de sujeito preexiste a cada indivíduo concreto e é uma condição de sua existência social. Isso significa que a constituição do sujeito não é um processo datado na vida do indivíduo, ao contrário; o indivíduo é - como diz Althusser - sempre já sujeito. Em outras palavras, os indivíduos estão desde sempre participando de um sistema de referências em que já ocupam o lugar de sujeito. É o caso, por exemplo, do recém-nascido, que já vem à luz identificado e posicionado na estrutura da família. (Eifler, 18/09/07)
38- Em resumo: no processo de hominização, indivíduos de uma população mantida por estratégias evolutivamente estáveis tornam-se sujeitos de um sistema socialmente estável mantido por estruturas transubjetivas. (Eifler, 18/09/07)
(Continua)

posted by Roberto Velloso Eifler | 9:13 AM
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Terça-feira, Janeiro 06, 2009  

(Continuação)
28- A energia em si (enérgeia kath’ hautén) do númeno, que está provavelmente localizado no tronco cerebral, ativa três faculdades neurofisiológicas primárias, a do conhecimento, a da vontade e a do gosto. Cada uma dessas faculdades emite um impulso em busca da própria falta. Esses impulsos, sob a forma de feixe, atravessam as estruturas eidéticas, onde são moldados ao mundo (óikos) pelo mundo (óikos), e, já com propriedades cognitivas, “investem” os objetos do ambiente exterior. “Investimento” também é uma metáfora, assim como “desejo”. O termo certo é intencionalidade. A metáfora do desejo encobre a intenção de entender, a intenção de avaliar e a intenção de ser (que também significa possuir, controlar). (Eifler, 22/08/07)
29- A intencionalidade do ser vivo incorpora o objeto ao seu mundo. Aqui eu emprego a distinção de Francisco Varela entre mundo e ambiente exterior. Os objetos estão soltos, sem significado, no ambiente exterior, mais ou menos como Heidegger descreve os entes intramundanos (innerweltlich), enquanto o mundano (weltlich) só passará a existir a partir da intencionalidade. Em outras palavras, o mundo é o ambiente exterior com significado. (Eifler, 22/08/07)
30- O ser vivo, como auto-organização recursiva (Morin) ou fechamento operacional (Maturana), tem sua abertura com o mundo através da intencionalidade. O circuito recursivo é autônomo e ao mesmo tempo depende do mundo para sua autonomia. Ser e mundo formam uma união indissociável através da abertura. (22/08/07)
31- Maturana chama de epigênese a transformação estrutural de um organismo que acontece concomitantemente com a transformação estrutural do meio em que ele se encontra. Vou reservar esse termo para as alterações de posição da intencionalidade ao longo da grade estrutural determinadas pelas interações com o mundo. Isso quer dizer, na linguagem de Chomsky, que todo ser humano tem a competência para ser dominante ou dominado, ao passo que seu desempenho (seu comportamento epigenético) como dominante ou dominado dependerá não só de sua estrutura inicial como da história de suas interações com o mundo. (Eifler, 28/08/07)
32- Uma estratégia evolutivamente estável (Maynard Smith) pode ser definida como uma estratégia comportamental que, quando adotada pela maioria dos indivíduos de uma população, não poderá ser superada por estratégias alternativas. (Eifler, 01/09/07)
33- A partir do conceito de estratégia evolutivamente estável (EEE) podemos dizer que o que hoje reconhecemos como humanidade se constituiu através de uma EEE ao longo de alguns milhões de anos de transformações neurofisiológicas e anatômicas. Essa humanidade é formada por populações organizadas em sistemas socialmente estáveis (SSE). (Eifler, 07/09/07)
(Continua)

posted by Roberto Velloso Eifler | 9:31 PM
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Domingo, Janeiro 04, 2009  

Vou continuar expondo algumas ideias básicas já desenvolvidas por mim neste blog para, a partir delas, chegar a conclusões que, embora eu ainda não saiba quais são, me parecem estar maduras. Eu tinha parado no item 22.

23- A estrutura da moral tem cada vez sido mais estudada pela neurociência. Em Moral Minds, de 2006, o psicólogo Marc Hauser, de Harvard, aproxima definitivamente a faculdade moral da faculdade da linguagem assim como postulada por Chomsky, com seus dois conceitos de competência e performance. A competência moral é inata e pode-se dizer que é regida por princípios, enquanto a performance é adquirida, determinada pela cultura e regida pelo que se pode chamar de parâmetros.
24- Assim como a bateria elétrica, o númeno é a origem e fim de si mesmo, ou, na linguagem aristotélica, causa eficiente e causa final. Podemos comparar a diferença de tensão dentro da bateria com a coisa em si. Nós nunca conheceremos a coisa em si porque ela é a forma pela qual conhecemos as coisas. Mas, como a diferença de intensidade na corrente elétrica equivale à diferença de tensão na bateria, nós temos uma chance de chegar, por analogia, ao conhecimento da coisa em si. O problema é que esse conhecimento, no fundo, é um sentimento. O númeno é energia e, por isso, emoção, sentimento. Não há racionalidade no númeno. Podemos usar a racionalidade para nos aproximarmos do númeno, mas nunca encontraremos racionalidade nele. Eis porque jamais chegaremos à definição de verdade: porque a verdade em si é um sentimento. Em outras palavras: só a emoção pode dizer se há verdade na razão. (Eifler, 06/08/07)
25- Como pode existir simulacro de energia pura, uma vez que essa energia não é forma nem proposição? Realmente, a energia é pura emoção. Se um circuito recursivo como uma estrela - o sol - tivesse subjetividade, ele “expressaria” só emoção. No ser humano, o investimento objetal da energia numênica se faz através da estruturação eidética. O que eu quero dizer é o seguinte: a energia (instinto) gerada pelo númeno adquire forma (inconsciente) através das estruturas do éidos, e essa forma é que estará disponível para se acoplar a correspondências (pessoas, idéias, etc.) do mundo exterior. Em outras palavras: a energia do númeno é enformada pela estrutura. (Eifler, 13/08/07)
26- Qual é a diferença entre estruturas e faculdades? As estruturas (a sexualidade, o poder e a moral) são modos através dos quais as faculdades interagem com o mundo, isto é, são grades que modelam as faculdades. Já as faculdades são capacidades ou potencialidades. Faculdade, que deriva do latim facultas, corresponde ao grego dýnamis (potência). O princípio (arché) é o númeno, energia pura que se manifesta através de três faculdades, para as quais usarei a terminologia de Kant, chamando-as de faculdades da alma (Seelenvermögen), a que corresponderiam três faculdades cognitivas (Erkenntnisvermögen). Vermögen é o termo alemão para dýnamis. (Eifler, 19/08/07)
27- As três faculdades da alma (Seelenvermögen), de Kant, são a faculdade de conhecimento, a faculdade da vontade e o sentimento de prazer e desprazer. Essas três faculdades, ativadas pelo númeno, disparam sua energia através das estruturas. Pós-estruturalmente, tais faculdades serão reconhecidas como cognitivas e corresponderão, respectivamente, ao entendimento, à razão e ao juízo. Chamo a atenção para o fato de que mesmo as faculdades cognitivas (Erkenntnisvermögen) permanecem abaixo do limiar da consciência. (19/08/07)
(Continua)

posted by Roberto Velloso Eifler | 10:13 AM
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Sexta-feira, Janeiro 02, 2009  

A partir de hoje vou adotar as regras da reforma ortográfica da língua portuguesa. Não que concorde com elas. Aliás, acho que nunca deveria ter havido reforma ortográfica nenhuma, nem a de 1946. As mudanças ortográficas deveriam acontecer naturalmente a partir do uso comum da língua.

posted by Roberto Velloso Eifler | 4:27 PM
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Quinta-feira, Janeiro 01, 2009  

(continuação)

13- A cognição trabalha com o mundo real (o mundo em que o animal vive) e também com o mundo das idéias (a noosfera).
14- A noosfera (de Morin, a partir de T. de Chardin), equivalente ao Mundo 3 de Popper e aos memes de Dawkins, precisa da mente humana para existir mas tem vida independente.
15- As idéias “pegam”, espalhando-se como vírus. Essa “cola” das idéias se efetua através de dois fenômenos que podem ser definidos por meio de valores: o valor memético e o valor de moda (Eifler, 2007).
16- O imprinting (o mecanismo pelo qual o ganso recém-nascido passa a reconhecer como mãe o primeiro ser vivo que ele enxerga) é o modo de fixar os valores nos seres humanos (o Bem e Mal, ao nascermos, são terminais vazios que serão fixados pelos valores específicos de cada cultura).
17- As idéias têm a propriedade de substituir experiências reais e formar imprintings.
18- Uma idéia pode determinar um valor moral racional que se oponha a um valor moral emocional na mesma pessoa. O sistema moral de Kant é apenas um entre inúmeras possibilidades. O sistema moral marxista-leninista é outro.
19- A mentira é tão importante quanto a verdade nas relações sociais.
20- O noema é a unidade elementar da comunicação prática e se compõe de uma parte explícita (a proposição) e de uma parte implícita (a hipócrise) (Eifler, 11/11/07)
21- Analisando a prova de Fórmula 1 de Interlagos de 2007 sob o conceito de noema, podemos dizer, grosso modo, que “é proibido permitir a ultrapassagem de um companheiro de equipe só para que ele ganhe pontos no campeonato” é a proposição, enquanto que “é permitida a ultrapassagem de um companheiro só para ganhar pontos desde que os procedimentos não permitidos sejam feitos de forma que pareçam permitidos” é a hipócrise. Vejam que os conceitos de noema e de hipócrise só são válidos dentro de um sistema, ou subsistema, de comunicação. Para os indivíduos de fora desse sistema a hipócrise será considerada uma hipocrisia. Será legal, mas imoral.
22- O ato político é essencialmente um ato noemático e há bastante confusão, muitas vezes proposital, entre hipócrise e hipocrisia.
(continua)

posted by Roberto Velloso Eifler | 7:12 PM
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