Sábado, Outubro 25, 2008
O CORONEL QUE SALVOU O ASSASSINO
Assisti estarrecido à entrevista coletiva do comandante do Batalhão de Choque da PM de São Paulo, coronel Eduardo Félix, após o trágico desfecho do caso de cárcere privado de Santo André, em que um indivíduo manteve sob a mira do revólver duas adolescentes, uma delas (Eloá) sua ex-namorada, que acabou assassinada.
Eu não quis acreditar quando, em meio a uma enxurrada de argumentos técnicos, o coronel explicou que seu objetivo era salvar as três pessoas envolvidas e que, para tanto, abrira mão de várias oportunidades de acertar um tiro no seqüestrador. Como assim, as três pessoas? Havia um malfeitor apontando uma arma para a cabeça de duas meninas, e o coronel estava preocupado em salvar a vida dele?
Essa atitude me lembra a de um inesquecível Secretário de Segurança do RS que, após o seqüestro de uma lotação cheia de passageiros, mostrou-se unicamente preocupado com a saúde espiritual do seqüestrador, ao qual saiu abraçado, deixando de lado os seqüestrados.
A identificação com o criminoso pode ser chamada “a doença infantil da psicologia” e será lembrada pela posteridade como o “romantismo do século XX”, adotado principalmente por intelectuais oriundos da classe média, com fantasias libertárias, e ainda hoje empoçado em bolsões acadêmicos do Brasil. O que é inadmissível é um coronel do Batalhão de Choque, aparentemente bem treinado, deixar-se dominar por essa visão romântica do criminoso e assistir, como se nada pudesse fazer, ao assassinato de uma menina de 15 anos. O conceito de bandido é objetivo, determinado pelos atos da pessoa. Subjetivamente, todos somos bons e maus. A subjetividade explica, mas não justifica. Esse é o problema do romantismo psicológico: querer justificar as maldades. Mas, sendo a maldade um ato objetivo, ela não tem justificação. Havia um indivíduo — não interessa seu sexo, sua idade, seu estado psicológico — ameaçando matar outra pessoa. A polícia só pode ter um propósito: eliminar a ameaça à vítima, se estiver dentro de suas possibilidades. E estava dentro de suas possibilidades!
Agora, se é verdade que o coronel Félix acredita no que disse, o que resta a fazer é lhe dar os parabéns. Afinal, ele conseguiu salvar o assassino. Pena que uma jovem inocente acabasse morta, mas esse foi apenas um efeito colateral do sucesso. E a outra menina só levou um tiro no rosto. Nem morreu. Parabéns, coronel. Mas não espere que eu acredite que, se sua filha estivesse no lugar de Eloá, o senhor agiria da mesma forma.
posted by Roberto Velloso Eifler |
7:14 PM
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Domingo, Outubro 19, 2008
Este é o email que enviei ao Steven Pinker:
Dear Dr. Spinker:
I’m an admirer of your ideas and an attentive reader of your books, but there’s a question that has remained, at least for me, unanswered: Why the primitive languages were syntactically more complex than the modern ones? In other words, why apparently all the ancient languages had declensions, which have disappeared along the time (except for German, which is a modern “primitive language”)?
On the other hand, this “complexity of the primitive” is in direct contradiction to your theory of the central role of the verb in language learning, since the cases (dative, accusative, etc.) practically dispense with verbs in order to know who, whom or where.
In Latin, when someone said “reginam”, any listener understood that “regina” was being the direct object of the claim. Likewise, when someone said “politei” in Greek, any person would have understood “polites” as the indirect object of the claim. I was told that in Arabic there’s a word that means “lion laying”, other that means “lion standing”, other “lion moving”, that’s to say, about a dozen words meaning lions in different states or state-changes.
I can imagine a scenario (obviously pre-Roman) where a official orders a subordinate to take a servant to the queen. He would say: “Servum reginae”, and the subordinate would understand, without verbs, that the direct object (servum) should be taken to the indirect object (reginae).
I’m not suggesting that your verb theory is wrong. On the contrary, it’s fascinating and provocative. What I think is that the syntactical structure that has the verb as its core had emerged later in the language development. Flashes: In the beginning (as other animals): different cries, different meanings. Afterwards: different cases, different meanings. Finally: verbs, coloring the cases and soon assuming control of the syntax.
There’s an apparent paradox in the fact that language has evolved syntactically from a more complex framework to a simpler one. Probably it would be more precise to say that it evolved from a more compact framework to a more differentiated one. Or: a syntax based on nouns has evolved toward a syntax based on verbs.
Like other physical and neurophysiologic structures, language has not only an ontogeny but a phylogeny yet to be found out.
Regards,
Roberto Eifler. - Porto Alegre, Brazil.
posted by Roberto Velloso Eifler |
6:04 PM
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Roberto V. Eifler


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